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Mau demais

  • Foto do escritor: Alexandre Pereira
    Alexandre Pereira
  • 14 de nov. de 2025
  • 3 min de leitura

Um autêntico pesadelo em Dublin. Portugal voltou a adiar a qualificação para o Mundial 2026, após uma derrota (2-0) pesada frente à República da Irlanda, com Troy Parrott a bisar (18’ e 45’+1). Incapaz de reagir ao desaire construído na primeira parte e ainda reduzido a dez unidades, após a expulsão de Cristiano Ronaldo (61’), a Seleção Nacional voltou a exibir fragilidades preocupantes, somando mais um encontro sem vencer em jogos oficiais na Irlanda.


A seleção lusa até começou bem — com bola, a rondar a área irlandesa e a tentar assumir o controlo do jogo —, mas bastou uma distração para tudo descambar. Diogo Costa complicou, concedeu canto e na sequência do lance surgiu o primeiro golo da noite: três toques e Troy Parrott só teve de cabecear, enquanto o guardião português ficou pregado ao chão (18’). A seleção do islandês Heimir Hallgrímsson, mesmo inferior na posse de bola, vinha já a criar desconforto na defesa lusitana, através de contra-ataques rápidos em bola longa.


A partir daí, a Irlanda repetiu a receita do jogo de Lisboa, mas desta vez em vantagem: baixou as linhas e permaneceu à espera do erro adversário para sair em transição rápida. E Portugal, sem ideias, caiu na armadilha. Rúben Neves (26’) e João Neves (31’) ainda tentaram de fora da área, mas sempre sem perigo real. O 5-4-1 irlandês tornou-se uma muralha e o Aviva Stadium transformou-se num vulcão, empurrando os da casa.


Mesmo com maior posse e insistência, a seleção da Quinas continuou a esbarrar em Kelleher e na solidez defensiva oponente. Até houve cheiro a empate em alguns momentos, como o remate acrobático de Vitinha (39’) e a tentativa de Diogo Dalot (40’), mas quem acabou por marcar novamente foram os Boys in Green. Já em cima do intervalo, Troy Parrott voltou a castigar a passividade da defesa lusa, com um remate rasteiro ao primeiro poste, apanhando Diogo Costa desprevenido, perto do mesmo ferro (45’+1).


Ao intervalo, o cenário era de pesadelo para Portugal: 2-0 e a mostrar as mesmas fragilidades que se viram em Alvalade, mas agora ainda maiores. Pouca criatividade, lentidão na circulação de bola e muitas dificuldades em lidar com as transições rápidas. A primeira parte terminara e era urgente Roberto Martínez mexer na equipa.


E mexeu mesmo. Numa possível tentativa de acabar com o terror defensivo dos primeiros 45 minutos, entraram Nélson Semedo e Renato Veiga para os lugares de João Cancelo (já amarelado) e Gonçalo Inácio.

O início de uma possível reviravolta podia ter surgido cedo, pelos pés de Vitinha que apareceu em excelente posição para reduzir, mas falhou o tempo do remate e atirou muito ao lado (47’). Era a imagem que os lusitanos deixavam - presença constante no último terço, mas sem capacidade de incomodar verdadeiramente. Portanto, mais do mesmo na segunda parte.


E se a tarefa já era complicada, tornou-se muito mais difícil. Aos 61 minutos, Cristiano Ronaldo foi expulso pela primeira vez ao serviço da seleção. Uma cotovelada nas costas de Dara O’Shea levou o capitão ao balneário mais cedo — um gesto imprudente e absolutamente penalizador para a equipa, que ficou reduzida a dez e com menos um homem na frente.


Mesmo assim, Portugal tentou “reagir”. Aos 72’, Rafael Leão apareceu ao segundo poste, depois de um desvio de Dalot, mas não conseguiu chegar ao esférico. Ainda antes dos 90’, Gonçalo Ramos foi protagonista do lance mais perigoso da segunda parte: recebeu no peito e rematou forte, mas foi travado por uma enorme defesa de Kelleher.


Aos 90+3’, Rúben Neves experimentou de longe, mas novamente sem incomodar. O árbitro, entretanto, colocou fim a um jogo onde Portugal teve muito mais posse de bola, mas nunca teve ideias ou criatividade suficientes para conseguir algo positivo.


O resultado acabou por ser duro e até humilhante, mas não deixa de ser justo perante o que se viu. A formação de Roberto Martínez sabia perfeitamente o tipo de jogo que iria encontrar e, ainda assim, caiu e com estrondo - ainda que haja mérito do adversário. A seleção portuguesa fez pouco ou nada para reparar os danos do primeiro tempo e a expulsão de Cristiano Ronaldo agravou ainda mais a sua exibição. O capitão, inaceitavelmente, perdeu a cabeça, prejudicou a equipa e ainda deixou uma imagem negativa com a sua atitude na saída do relvado. Desta forma, Portugal mantém o registo de não vencer em jogos oficiais na Irlanda.


A seleção das Quinas adia mais uma vez o apuramento para o Campeonato do Mundo de 2026, que agora será decidido no último jogo da fase de qualificação. O encontro tem data marcada para o próximo domingo, às 14h, no Estádio do Dragão, frente à Arménia


Autor: Rodrigo Martins

Imagem: Getty Images

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