Navarro faz da Pedreira um cemitério para gigantes
- Alexandre Pereira
- 24 de set. de 2025
- 3 min de leitura

Após um início de época que tem deixado muito a desejar, o Braga recebeu o líder da liga holandesa, a contar para a fase de liga da Liga Europa, num jogo que se adivinhava muito complicado para os minhotos. O Feyenoord não conseguiu provar o favoritismo em campo e acabou mesmo por cair frente aos arsenalistas, por uma bola a zero (1-0), com um golo de Fran Navarro (79’).
O Feyenoord, que se deslocava à Pedreira em grande forma - empatando apenas um de seis jogos no campeonato holandês – chegou à capital do Minho como claro favorito, algo que não se comprovou dentro de campo.
Carlos Vicens usou uma tática algo incomum, utilizando pela primeira vez na época três centrais de raiz no 11 titular. Este 5-2-2-1, ou 3-4-2-1 com os laterais a apoiar o meio-campo, e com o capitão Ricardo Horta e Rodrigo Zalazar a apoiar El Ouazzani na frente revelou-se ideal para derrotar os líderes da Eredivisie.
Já do lado do Feyenoord, o mítico Robin Van Persie, que regressa ao Municipal de Braga onde marcou na época 2012/13 pelo Manchester United, apostou num 4-3-3 com caras bastante conhecidas à nossa liga, apostando em Gonçalo Borges e em Casper Tengstedt para o trio de ataque. Comparativamente ao último jogo frente ao AZ Alkmaar, o ex-internacional holandês manteve apenas 4 titulares, o que aumentou a responsabilidade do Braga de apresentar um bom resultado frente aos seus adeptos.
A pressão era grande para o lado da equipa da casa. Tendo em conta os resultados dos últimos jogos, a equipa de Carlos Vicens e, principalmente, o próprio treinador, tinha de apresentar um resultado positivo.
O jogo começou com muitas dificuldades para manter posse de bola da parte do Braga. O Feyenoord entrou bem e dominou os primeiros 30 minutos do jogo. A primeira grande oportunidade surgiu aos 13 minutos, quando a bola ressalta até ao pé direito de Gijs Smal na área dos Gverreiros, embora não tenha sido suficiente para concretizar o golo, tendo Hornicek agarrado a bola com alguma tranquilidade.
Por volta do quarto de hora de jogo, antes mesmo de um canto favorável à equipa da casa ser batido, Niakaté é empurrado na área adversária, gerando assim uma revisão de possível penálti no VAR, que acabou por não se concretizar.
À marca da meia hora o Braga começou a aparecer e, após a defesa do Feyenoord ter relaxado numa reposição de bola, Moutinho aproveitou e encontrou a cabeça de El Ouazzani que viu o seu cabeceamento ser travado pelo gigante, Wellenreuther.
A fechar a primeira parte, o capitão Ricardo Horta levantou o estádio. Após um passe alto do camisola oito do Braga, o médio ofensivo arsenalista conseguiu desviar a bola do guarda-redes e tirou tinta ao poste da baliza visitante, chegando mesmo a ouvir-se “golo” em Braga.
Apesar das discrepâncias na primeira meia hora de jogo, as equipas foram para o balneário com um equilíbrio estatístico. A nível tático, o que se retirou depois do apito do árbitro foi uma grande dificuldade dos minhotos de construir jogo, algo que tem sido comum esta época. Os arsenalistas revelaram-se uma equipa muito fraca coletivamente e completamente dependente de rasgos individuais para criar jogadas.
Após um recomeço muito tranquilo, a primeira grande oportunidade surge aos 72 minutos proveniente de um cruzamento de Leonardo Lelo, que encontra o jovem, Diego Rodrigues, que finaliza um remate bastante difícil deixando assim toda a formação neerlandesa desamparada.
Pouco tempo depois, os caseiros provaram-se mais presentes em campo. No seguimento de mais um grande passe de Lelo, “El Toro” Fran Navarro remata uma bola indefensável para o guarda-redes alemão – que ainda toca no poste - abrindo assim o placard.
Ao cair do pano, e após uma grande confusão defensiva da parte do Braga, Cyle Larin é apanhado em fora de jogo, vendo o empate do Feyenoord ser anulado. A equipa visitante ainda pressionou os braguistas nos últimos minutos de jogo, mas todos os esforços foram em vão para alterar o resultado que se manteve no 1-0.
A mudança de tática por parte de Carlos Vicens provou-se a abordagem correta. A muralha de 5 defesas foi essencial para travar os ataques dos holandeses que se viram muito dependentes de jogadas de quebra por parte dos extremos, que não se mostraram à altura. Tendo uma maior concentração de jogadores na defesa, o Braga apostou em dar mais espaço ao portador de bola, cortando linhas de passe o que dificultou o futebol de Van Persie.
O Braga defronta agora, na próxima quinta-feira, dia 2 de outubro, os escoceses do Celtic. Com esta vitória, os arsenalistas somam três pontos muito importantes nesta fase de liga da Liga Europa. Os rapazes de Glasgow, por outro lado, empataram frente ao Estrela Vermelha de Belgrado.
Autor: David Silveira
Imagem: Getty Images



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